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Coronavírus: Entenda a estratégia do governo e por que você deve continuar em casa 

Há cerca de uma semana, os Estados brasileiros iniciaram o isolamento social como forma de conter o avanço do coronavírus no País. Nesta quinta-feira (26), o Brasil completou um mês desde o registro oficial do primeiro caso e, desde então, mais de 2500 pessoas foram infectadas, registrando sessenta mortos, de acordo com dados das Secretarias de Saúde dos Estados. Nos últimos dez dias, o número de casos subiu 10 vezes e a cada dois dias o número de óbitos tem crescido 30% em média.
A observação da curva de progressão do vírus em outros países mostra que o número de casos tende a aumentar exponencialmente após o primeiro mês e, por isso, o prognóstico não é muito favorável ao abandono do isolamento social. Apesar do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro a respeito, na terça-feira última (24), minimizando os efeitos do vírus, incentivando a população ao retorno de suas atividades normais, o momento é de cautela diante de um provável colapso no sistema de saúde.
Nos Estados, até o momento, os governos vêm optando por testar apenas os casos mais graves que têm necessidade de hospitalização ou de acompanhamento mais próximo, isto é, febre de 38°C persistente há três dias e falta de ar. O isolamento social tem sido utilizado para evitar que pessoas que estejam contaminadas com o vírus e tenham sintomas leves não o propaguem para outras pessoas. Vale lembrar que pessoas assintomáticas foram responsáveis por cerca de 30% dos casos de contágio na China.
Dessa maneira, existe a possibilidade real de outras pessoas estarem infectadas com o vírus, com apenas sintomas leves, em isolamento. A estratégia é eficaz, porque retarda a propagação rápida do vírus, mas a ausência de testagem em massa leva a uma provável subnotificação, levando a um quadro de números oficiais que pode não corresponder à realidade.
Nos EUA, por exemplo, a estratégia inicial de testagem foi a mesma utilizada pelo Brasil, mas alguns dias depois a população passou a ser testada em massa e o resultado foi que, nos últimos dez dias, o número de casos praticamente foi multiplicado por 10 mil, chegando a mais de 75 mil infectados e mais de mil mortos. A OMS estima que os EUA se tornarão o próximo epicentro da pandemia.
Em entrevista coletiva no dia seguinte ao seu pronunciamento (25), o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender que as atividades normais sejam retomadas, com reabertura do comércio e retorno das aulas. Ele também defendeu o isolamento vertical, ou seja, manter apenas os grupos de risco em casa.
O isolamento vertical, no entanto, foi tentado em alguns países da Europa sem sucesso, pagando um preço alto em vidas perdidas. O resultado mais recente foi o Reino Unido que, após recomendar esse modelo de isolamento inicialmente, está com uma estimativa de 11 mil casos de infecção pelo vírus e mais de 500 mortes. Por isso, desde a última semana, vem adotando medidas progressivas para frear o vírus, até o recente isolamento social total, muito semelhante ao vivido pelo Brasil. 
Apesar dos prejuízos que podem – e com certeza vão – ocorrer na economia do País, os custos das vidas dos brasileiros estão em jogo. De acordo com estudo do IEPS – Instituto de Estudos para Políticas de Saúde, se apenas 1% da população do país for infectada pelo coronavírus, somente internações em UTIs podem custar quase R$ 1 bilhão. Então, qual seria o prejuízo maior? Economia ou saúde?
O momento é de cautela e exigiria do poder público uma atitude de geração de políticas públicas para proteção social aos trabalhadores mais fragilizados nesse cenário, informais e pequenas empresas. Os impactos de longo prazo podem ser minimizados com saídas como a taxação de grandes fortunas, programas de incentivo à solidariedade de grandes empresas aos menos favorecidos, redução das tarifas de água e energia elétrica, bolsas para autônomos, congelamento de pagamentos da dívida pública.
Pense nisso. Vale a pena pagar o preço e se expor ao coronavírus?

Elara Leite.

Marcos Cavalcanti

Marcos Cavalcanti é jornalista, e Mestre em Teologia. Trabalhou nas rádios Integração do Brejo de Bananeiras e Solânea FM de Solânea/PB - Nas Tvs, Gazeta e CNT/SP - Foi porta voz da Prefeitura Municipal de Santa Rita/PB - Atualmente é Assessor de Imprensa da Câmara Municipal de Santa Rita.

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