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SUICÍDIO: POR QUE SE CALAR?


De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Quarenta segundos. Esse é o intervalo de tempo para que uma nova pessoa cometa suicídio no mundo. Ainda segundo a organização, o número pode chegar a 800 mil vidas perdidas, a segunda maior causa de morte de jovens entre 15 a 29 anos. Um dado desesperador, alarmante e preocupante, mas que não é do conhecimento da grande maioria da população mundial.

E qual a razão disso? Simples, a imprensa raramente noticia algo relacionado a esse tipo de morte. E quais as justificativas? Consta nos manuais das redações, são normas internas de grandes emissoras: muitos dizem que noticiar o suicídio pode induzir o telespectador, ou o leitor, a fazer o mesmo. Mas, será que realmente essa justificativa é plausível?

Uma coisa é certa, os estudantes de jornalismo ouvem, logo nos primeiros dias de curso, que a grande função da imprensa é de abrir os olhos da sociedade para algo que não está claro, e/ou mesmo mostrar aquilo que grande parte das pessoas não consegue ver, por que a imprensa não pode também alertar para esse tipo doloroso de morte? Por que não investir em reportagens que mostrem, de alguma maneira e de uma forma clara e objetiva, o quanto precisamos falar abertamente de suicídio e o quanto esse tema não pode mais ser tabu entre as famílias?

É lógico que alguns cuidados devem ser tomados. Evitar abordagem sensacionalista, evitar falar do local no qual o suicídio ocorreu – não revelar nomes, tanto da vítima quanto de seus parentes  essas, são algumas das dicas sugeridas no manual da Associação Brasileira de Psiquiatria.  

A imprensa em geral, tem que tomar cuidado com a maneira que aborda não só do suicídio, mas também, tantas outras tragédias. A justificativa de que não se pode, noticiar fatos suicidas, por que haverá um estímulo em outras pessoas a fazer o mesmo, é completamente absurda. Imagine que se essa prática tivesse um efeito concreto, poderíamos evitar que outros problemas devastarores, se alastrassem, sugerindo, a esta mesma imprensa, a criação de um novo código para não falar em corrupção por ex, por que ao noticiar tais assuntos que tomam conta de 90% do conteúdo, ela está estimulando outros, a também serem corruptos. Eu pergunto: quantas pessoas inocentes, a corrupção mata? Crianças recém nascidas, indefesas, morrem todos os dias, são centenas e, os idosos? Nem se fala. Quanta dor a corrupção trás a milhares e milhares de famílias, por não ter acesso a saúde, a educação, a igualdade social? E a dignidade humana, onde fica? Cadê a ética? A corrupção é uma bomba atômica que ceifa milhares de pessoas, de todas as idades com um único tiro. 

"Gente como Jaciara Avelino do Rio de Janeiro, que tem um tumor na hipófise há 14 anos, precisa tomar remédios regularmente e, em março, estava há três meses sem fazer uso de um deles. Uma caixa de Carbegolina, o remédio em falta, custava na época R$ 250,00 e ela precisa de quatro caixas por mês. Quantas Jaciaras o que foi desviado da Petrobras poderia salvar? E o dinheiro desviado do BNDES, ou da Eletrobrás?"

Me perdoem, mas se calar diante de uma realidade que pede ajuda, que precisa de ajuda, é um ato covarde que não contribui. Até porque a função do jornalismo é justamente oferecer informação e prestar serviços. 

O povo, principalmente deste país, precisa entender de uma vez por todas, que os seus governantes, só levantam as bundas de seus tronos, quando a Imprensa, os Imprensa.

E como funciona isso? Quando a imprensa mostra a realidade.


Marcos Cavalcanti.

Marcos Cavalcanti

Marcos Cavalcanti é jornalista, e Mestre em Teologia. Trabalhou nas rádios Integração do Brejo de Bananeiras e Solânea FM de Solânea/PB - Nas Tvs, Gazeta e CNT/SP - Foi porta voz da Prefeitura Municipal de Santa Rita/PB - Atualmente é Assessor de Imprensa da Câmara Municipal de Santa Rita.

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